segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Poemas de Shakespeare em peça de teatro

O Teatro do Bairro estreou no dia 4 de Dezembro, "Actor Imperfeito", um espectáculo baseado nos sonetos de amor de William Shakespeare. Mais do que uma dramaturgia, o texto de Luísa Costa Gomes encena a narrativa dos triângulos amorosos que constituem o tema dos poemas. A encenação é de António Pires. Com Cláudio da Silva, Francisco Tavares, Jaime Freitas, João Araújo, Maya Booth, Rafael Fonseca, Rui Morrison e Solange Santos. O espectáculo vai estar em cena até 22 de Dezembro no Teatro do Bairro, em Lisboa, e será apresentado de 22 de Janeiro a 2 de Fevereiro, no Teatro Carlos Alberto, no Porto.

"Actor Imperfeito" é uma peça de teatro bilingue, em inglês e português, construída com os poemas de amor de William Shakespeare. Os sonetos de Shakespeare são justamente celebrados pela sua beleza, intemporalidade e universalidade. Tratam os temas comuns do amor e da amizade amorosa, começando pelo amor próprio e o narcisismo, depois a paixão, a comunhão, o desejo, a lealdade, a leviandade, a traição sexual. Os poemas encenam os dramas da vida da relação, a separação, o ciúme, a insónia, a reconciliação… Neles entrevemos pequenas cenas: uma carta que se escreve a meio da noite, um regresso há muito esperado, uma cena rústica com galinha esvoaçante… A sequência de sonetos põe em cena dois triângulos amorosos que têm como eixo comum a relação entre o poeta Will e o seu patrono e jovem amigo, a quem designa por “Jovem Louro”. O primeiro triângulo amoroso inclui o Poeta, o Jovem e o Poeta Rival; o segundo inclui o Poeta e o Jovem, que é seduzido pela amante do Poeta - a Mulher Morena - promíscua e cruel, personificação do mal do sexo e da venalidade. Para além da narrativa das relações amorosas que se vai desenrolando, "Actor Imperfeito" é também um texto sobre a imperfeição da tradução: a tradução do que sentimos em gestos e palavras, de uma língua noutra língua, a tradução do texto no corpo do ator, a tradução de um tempo noutro tempo, de um espaço noutro espaço. E sobretudo de um espaço interior e íntimo que é tantas vezes inefável e inexprimível, num espaço exterior e público onde imperam a convenção e os protocolos.- Luísa Costa Gomes

Sem comentários: